Espírito da África – Os Reis Africanos

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Pessoal, ainda não acabaram meus posts sobre minha visita ao museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera. Hoje, vou postar algumas das imagens da exposição “Espírito da África – Os Reis Africanos”, do fotógrafo Alfred Weidinger. Ela tem um grande significado para a história e a memória ancestral, já que esses líderes tribais não têm mais poder político; exercem mais uma posição de conselheiros. São fascinantes essas realezas que estão nas fotografias. Seus trajes de belos tecidos em teares manuais, tronos e artefatos com suas características extraordinariamente africanas são de grande impacto aos nossos olhos. Nossos olhos fixam-se nas fotos por encantamento por essas figuras tão expressivas.

O olhar pioneiro de Alfred está expresso nessas fotografias. Ele viajou por longínquos reinos hoje tidos como países, em busca desses magistrais registros. Por meios dessas imagens, Alfred consegue sensibilizar as pessoas que as visualizam de uma maneira que une, na mente das pessoas, o passado e o presente e a continuidade de um futuro e dos fatos de uma África tão grande e desconhecida por tanta gente. Esses homens, essas realezas são cercados por suas próprias magnitudes.

Espero que vocês fiquem tão maravilhados quanto eu ao olhar para essas fotos. Aqui, não postarei todas as imagens porque são muitas. Mas quem quiser o restante, entre em contato comigo pelo e-mail coracaoafricano2532014@gmail.com e eu mando todas as fotos (foto tirada de foto) e o texto na íntegra sobre os Reis Africanos.

1. Alfred Weidinger - Kan Iya - Rei dos Gan - Burkina Faso (2) Kan Iya – Rei dos Gan – Burkina Faso 

2. Rei de Abomey-Calavi Rei de Abomey-Calavi

7. Rei de Babungo Rei de Babungo

15. Rei do Congo Rei do Congo

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Um pouco sobre o povo Bamum

Como é comum em África, os povos costumam desenvolver suas artes e culturas de um modo bem particular. Geralmente, destingue-se os povos por suas características nas vestimentas, nos costumes na arte, nos rituais. O povo Bamum também carrega suas particularidades e uma história bem marcante.  Eles são, em média, em 150 mil pessoas, vieram do norte conduzidos por Ncharé e estabeleceram-se em Pambain, região do rio Nchi, zona centro-ocidental dos Camarões. Mais tarde, eles mudaram o nome da localidade para Foubain (fon = aldeia abandonada; nbain = acampamento).

Já no século XVIII, o rei Mbombovo organizou toda a região incluindo o povo que já habitava nela e com isso criou-se uma identidade nacional para o local. O sobreano mais importante doi Njoya, que após alguns golpes, voltou a se reerguer com a ajuda dos mulçumanos peúl de Banio. E, em contribuição a isso, o rei converteu-se para o Islamismo. No entanto, quando os alemães chegaram à capital camaronesa, em 1902, passaram a ensinar o cristianismo e o rei acabou se convertendo à fé cristã, mas apenas enquanto os invasores estavam por lá, porque quando eles deixaram o território, o monarca voltou a aderir ao Islamismo, mas conservando, contudo, numerosas crenças da religião tradicional. É perceptível que a hierarquia predomina na sociedade bamum e, em certos momentos, seguem a linha de sociedade feudal.

No que se refere ao modo de vida, é interessante comentarmos que até suas casas são diferentes. Elas têm estrutura retangular, com muros de argamassa cozida ao sol e teto com cumeeira. A cobertura de canas ficou para o passado. Agora, eles usam material mais resistente, como latão ou zinco. Como forma de sobrevivência, dependem da agricultura; para isso aproveitam a fertilidade dos solos vulcânicos.

O islão é a religião que predomina entre os Bamum. Mas, mesmo com a predominância do Islamismo, as religiões tradicionais ainda são um pouco praticadas popularmente por meio dos cultos aos antepassados. A religião do islão proíbe certos tipos de representações artísticas. Porém, o rei não deixa de se rodear dos melhores artesãos bamum.

As esculturas de madeira representam grandes máscaras com faces salientes, de aspecto risonho e bonacheirão. Elas mostram o sentido alegre da vida. As colunas, as ombreiras das portas e as vigas dos tectos enchem-se também de baixos-relevos de diferentes formas. São uma excelente mostra da extraordinária arte bamum.

Njoya_of_Bamun - governou entre 1883 a 1931 Njoya_of_Bamun – governou entre 1883 a 1931

Rei Njoya_thumb[1] Rei Njoya

escultura 1 Escultura Esculturas da região do palácio dos Bamum

O valor do dinheiro africano em metal

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O post de hoje ainda é sobre minha visita no Museu Afro Brasil. Como lá tem muitas coisas interessantes, optei por fazer um post por vez, assim a leitura não fica maçante. Antigamente, bem antigamente, não consigo especificar com tanta precisão a data, mas lá num passado bem distante, tanto na África quanto em outros cantos do mundo a forma com que as pessoas pagavam por algo não era com o dinheiro que temos hoje, era com objetos. Lá em África, eles usavam metais também para as formas de pagamento. E o Museu Afro Brasil nos trouxe esses objetos para a exposição para que possamos conhecê-los melhor. Apesar de eu colocar as imagens aqui, ressalto que vale a pena ir lá para vê-los de pertinho.

Uma variedade de objetos com ou sem valor teve seus momentos de glória sendo usados no lugar do que hoje temos como dinheiro. As trocas de metais e seu acúmulo era como os africanos, antigamente, demonstravam sua riqueza. Esses mesmos metais, posteriormente, foram transformados em armas, ferramentas e outros utensílios valiosos. Eles usavam esses objetos como forma de pagamento de quaisquer tipos de serviços prestados e, pasmem, até para acertos de “dote de casamento”. Um costume que tantas pessoas desaprovam, mas ao sabermos um pouco mais chega a ser compreensível para a época é que o pagamento do dote não era porque a família estava vendendo a moça como se ela fosse mercadoria. O fato era que como o rapaz a estava tirando do seu ceio familiar para se casar, ele deveria compensar a família por estar tirando a mulher (enquanto força produtiva de trabalho e geradora de vida) do círculo de onde ela nasceu para fazê-la desenvolver atividades fora do seu núcleo original. Percebem como a figura da mulher parece ser sagrada. Em todos os textos que lemos sobre a presença feminina na vida deles é perceptível a ideia de que a mulher é sagrada porque gera vida.

Hoje, chamamos esses objetos de moedas, mas na época não era esse o nome. As definições deles foram várias: dinheiro primitivo, dinheiro pré-colonial, dinheiro tradicional, meios de pagamento, medida de valor, etc. Muitos desses nomes foram aplicados em diversos povos não africanos. Na arqueologia e na numismática, chamam-se a esses objetos de paleomoedas, formado pelo termo grego paleo (ou palaios) que tem significado de antigo; resultando em moeda antiga. Com o tempo, os objetos de valores foram perdendo seu espaço em negociações como forma de pagamento. Durante e após o colonialismo, parrou-se a ter como dinheiro o que usamos hoje.

Não há como evitar as comparações entre as formas antigas de dinheiro e as atuais, mas também não podemos rotulá-las simplesmente como primitivas como se tivessem pouco valor. As paleomoedas eram feitas em materiais raros como o ferro, cobre, prata, bronze, ouro, etc. A seguir, vamos conhecer visualmente um pouco desses objetos.

Povo Idoma - Moeda corrente - Século XX, Nigéria - Ferro As 4 peças iguais – Povo Idoma – Moeda corrente – Século XX, Nigéria – Ferro

Povo Iorubá - Ferramenta de Osanymm - Século XX, Nigéria - FerroPovo Iorubá – Ferramenta de Osanymm – Século XX, Nigéria – Ferro

Ponta de Lança - Moeda corrente - África Ocidental - Ferro As 2 lado a lado – Ponta de Lança – Moeda corrente – África Ocidental – Ferro

Povo Lobi - Moeda corrente - Século XX, Burkina Faso - Ferro  Povo Lobi – Moeda corrente – Século XX, Burkina Faso – Ferro

9, 10 e 119 – Povo Sukur – Dubil (moeda corrente) – Nigéria – Ferro. 10 – Ponta de Lança – Século XX, África Ocidenal – Ferro. 11 – Moeda corrente – África Ocidental – Ferro

12 e 1312 – Povo Dogon, Tellem – Peça de altar – Moçambique – Madeira. 13 – Povo Patanya – moeda corrente – Nigéria – Ferro

14, 16 e 15 14 e 16 – Moeda corrente – África Ocidental – Ferro. 15 – Agogô – Instrumento musical – África Ocidental – Ferro

17Instrumento musical – Século XX, África Ocidental – Ferro

1, 4, 5 e 6 1, 4, 5 e 6 – Povo Chama – moeda corrente – Século XX – Nigéria

2 e  9 Povo Kirdi – moeda corrente – Século XX – Camarões

3, 7 e 14 Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

11 Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

12, 13 e 16 Povo Iorubá – moeda corrente – Século XX – Nigéria

15 Cruzeta de Katanga – Ferro fundido – República Democrática do Congo

17 Povo Chamba – moeda corrente – Século XX – Nigéria/Camarões – Ferro

1, 2, 3 e 4 Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

8, 5 e 10 Povo Mumuye – Nigéria

6, 9 e 11 Povo Lobi – Século XX – Burkina Faso

7 Povo Dogon – Mali – Ferro

Dia Nacional do Samba – 2 de Dezembro

Pintura Johann Moritz Rugendas - Batuque no Brasil, século XIX Pintura Johann Moritz Rugendas – Batuque no Brasil, século XIX

Assim como alguns ritmos são as marcas registradas de alguns países, o Brasil é sempre lembrado como o país do Samba. Mas há aqueles que não gostam do ritmo e protestam esse título. Hoje, em homenagem ao Dia do Samba, o Coração Africano preparou um pequeno texto sobre a história desse gênero musical que representa nossa cultura.

Simbolizando primeiramente a dança para anos mais tarde se transformar em composição musical, o samba – antes denominado “semba” (ritmo de origem africana) – foi também chamado de umbigada, batuque, dança de roda, lundu, chula, maxixe, batucada e partido alto, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O Coração Africano já dedicou post a esse ritmo muito praticado em Luanda, capital de Angola. Da Série Ritmos Angolanos. O Semba!

Principais Tipos de Samba

Samba-enredo
Surge no Rio de Janeiro durante a década de 1930. O tema está ligado ao assunto que a escola de samba escolhe para o ano do desfile. Geralmente segue temas sociais ou culturais. Ele que define toda a coreografia e cenografia utilizada no desfile da escola de samba.

Samba de partido alto
Com letras improvisadas, falam sobre a realidade dos morros e das regiões mais carentes. É o estilo dos grandes mestres do samba. Os compositores de partido alto mais conhecidos são:  Moreira da Silva, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.

Pagode
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, nos anos 70 (década de 1970), e ganhou as rádios e pistas de dança na década seguinte. Tem um ritmo repetitivo e utiliza instrumentos de percussão e sons eletrônicos. Espalhou-se rapidamente pelo Brasil, graças às letras simples e românticas. Os principais grupos são: Fundo de Quintal, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Raça Negra, Katinguelê, Patrulha do Samba, Pique Novo, Travessos, Art Popular.

Samba-canção
Surge na década de 1920, com ritmos lentos e letras sentimentais e românticas. Exemplo: Ai, Ioiô (1929), de Luís Peixoto.

Samba carnavalesco
Marchinhas e Sambas feitas para dançar e cantar nos bailes carnavalescos. Exemplos: Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.

Samba-exaltação
Com letras patrióticas e ressaltando as maravilhas do Brasil, com acompanhamento de orquestra. Exemplos: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso gravada em 1939 por Francisco Alves.

Samba de breque
Este estilo tem momentos de paradas rápidas, onde o cantor pode incluir comentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. Um dos mestres deste estilo é Moreira da Silva.

Samba de gafieira
Foi criado na década de 1940 e tem acompanhamento de orquestra. Rápido e muito forte na parte instrumental, é muito usado nas danças de salão.

Sambalanço
Surgiu nos anos 50 (década de 1950) em boates de São Paulo e Rio de Janeiro. Recebeu uma grande influência do jazz. Um dos mais significativos representantes do sambalanço é Jorge Ben Jor,  que mistura também elementos de outros estilos.

 Principais Instrumentos

Surdo Surdo – Foi criado em África, mais precisamente no Senegal, e trazido para o Brasil junto com os negros escravizados pelos portugueses para trabalharem nos negócios do açúcar. É um tipo de tambor grande que fica pendurado com uma alça resistente no pescoço do ritmista. Ele é um dos principais instrumentos em uma escola de samba. Seu som é facilmente reconhecido porque ele é quem dá a primeira batida e segue um ritmo até o final do desfile.

Tan-tan Tan-tan – Esse é outro tipo de tambor que foi criado no Brasil. Ele é bem parecido com o atabaque. Para tocá-lo, o músico bate com a palma da mão sem encostar os dedos.

Atabaque Atabaque

Tamborim Tamborim – De origem africana, este instrumento tem um som bem próprio e de fácil reconhecimento ao ser tocado. Seu som é o mais agudo da família dos tambores. Mesmo sendo da mesma família do surdo e do tan-tan, a maneira de tocá-lo não é demarcada por manter o ritmo do samba. No caso dele, o que vale é a criatividade do músico na hora de usar as baquetas.

Pandeiro Pandeiro – Instrumento lembrado por todos ao se referir ao samba. O batuque das mãos do músico seguido pelo balanço das soalhas faz um ritmo muito gostoso de ouvir. O pandeiro tem origem árabe, passou pela Espanha e Itália antes de chegar aqui.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Reco-reco – Este instrumento é fácil para fazer. Basta pegar um pedaço de bambu e abrir vários cortes, um do lado do outro. Para tocá-lo também não exige esforço: é só passar uma vareta pelos cortes fazendo o “reco-reco”; esse ruído repetitivo dá um som mais forte e encorpado ao samba da escola de samba.

Violão Violão – O violão é usado em todo tipo de música. Seu som faz com que a música ganhe melodia. Ele é de origem europeia.

Cavaquinho  Cavaquinho – Parece um violão pequeno, em quatro cordas e o som é mais agudo. O cavaquinho brasileiro é de origem portuguesa. Teve algumas alterações no seu formato até chegar ao que é hoje.

Osvaldinho da Cuíca Cuíca (Osvaldinho da Cuíca) – Parece um tambor, é pequeno e seu som é produzido pela mão que fica por dentro dele. Dentro tem uma vareta que, esfregada com um pano molhado, vibra e faz membrana vibrar também. Do lado de fora, a outra mão do músico controla as notas musicais com a ponta dos dedos.

O que registra a história é que o primeiro samba a ser gravado foi Pelo Telefone, do cantor Bahiano, em 1917. Os principais sambistas a partir de então são Sinhô Ismagel Silva e Heitor dos Prazeres. Já na década de 1930, as rádios passaram a tocar esse ritmo nos lares, pois já não era tão discriminado como no seu começo. Dessa fase, fazem partes vários nomes do samba muito bem conceituados até hoje, como Noel Rosa, autor de Conversa de Botequim; Cartola, de As Rosas não Falam; Dorival Caymmin, de O que é que a baiana tem?; Ary Barroso, de Aquarela do Brasil; Adoniran Barbosa, de Tem das Onze. Passados alguns anos, as décadas de 70 e 80  foram marcadas no samba pelo surgimento de Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc. Não podemos esquecer também Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmen Miranda, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo.

FONTES:

Sua Pesquisa

Sambando.com

Mundo Estranho

Ao Chiado Brasileiro