Super Mama Djombo – No Cambança

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A musicalidade em Guiné-Bissau com o Gumbé

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Guine_Bissau_Ponte_Cais_Agostinho_Gaspar10 - Foto Site Licumbiphotos

O Gumbé é um gênero musical que nasceu da junção de alguns ritmos da Guiné-Bissau. Conhecidos como músicas tradicionais ou folclóricas, entre esses estilos estão Tina, Tinga, Brocxa, Kussundé (da etnia Balanta), Djambadon (Mandinga) e Kunderé (Bijagós). O instrumento principal desse ritmo é a cabaça ou apenas cabaz.

Cabaça 1  Cabaça

Cabaça

O jeito de usá-la extremamente rápido faz com que sejam produzidos sons que provocam várias danças; muitos deles são mais apropriados a momentos específicos, como para rituais, cerimônias tradicionais e fúnebres, porém, paulatinamente, eles estão sendo inseridos na música moderna do país. Para Lucy Duram, professora de musicologia na Universidade de Londres, Gumbé foi a primeira música popular africana. Além disso, é por meio do Gumbé que as várias etnias da Guiné-Bissau, inclusive as de tradição muçulmana (Mandinga, Fula, etc.), cruzam-se culturalmente, sobretudo com a contribuição dos djális ou griots, lavradores que se tornaram músicos hereditários.

Apesar de ter sido colonizada pelos portugueses, como vários outros países africanos, Guiné-Bissau sofreu influência musical significativa de Portugal (fado) como aconteceu com Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique. Ainda nesse contexto colonial, é interessante frizar que, mesmo com a conquista de sua independência em 1973, a música tradicional em Guiné-Bissau, o Gumbé, só se tornou vivo após essa data quando Ernesto Dabó produziu em Lisboa o tema M’Ba Bolama. As músicas desse estilo são cantadas em crioulo e suas letras sempre remetem a algum assunto social, relacionamento entre as pessoas tanto amor como de amizade, questões políticas também são retradas nas letras do Gumbé e, inclusive, sobre o Sida (AIDS).

Ernesto Dabó Ernesto Dabó

Mais tarde, depois de quase dez anos, viveu-se no Gumbé a era de Super Mama Djombo, com o primeiro trabalho datado entre anos 70 e início de 80 com o álbum Cambança, bastante popular em todo o país.

Super Mama Djombo - Pamparida (Original) - Vintage 70s Gumbé Super Mama Djombo, álbum Na Cambança

Como foi falado anteriormente, as músicas desse gênero tratavam bastante de assuntos que envolvia o lado político e social de Guiné-Bissau e, o que nos conta a história é que os primeiros grupos musicais do país, cito África Livre, Chifre Reto e Kapa Negra, tinham densas relações com o poder político. Na mesma situação estava inserido nesse contexto de difícil relação o histórico Zé Carlos, considerado um crítico do poder colonial e da administração pós-independência. Ele acabou por morrer em um acidente de avião em Havana, Cuba. Até esse acidente ainda ouvia-se rumores os quais cogitavam uma possibilidade de que havia grande intenção de eliminação física de Zé Carlos por causa do conteúdo político de suas canções. Essa situação com Zé Carlos em Guiné-Bissau não foi tão diferente do que aconteceu com vários críticos políticos aqui no Brasil na mesma época, tudo em razão da censura; muitos aqui foram presos, exilados.

Zé Carlos 1 Zé Carlos Zé Carlos

Com o passar dos anos, já lá no final dos anos 80, estilos Kussundé começaram a ganhar espaço no país. O álbum Chefo Mae Mae, liderado por Kaba Mané, teve em seu repertório a combinação da força da guitarra eletrônica com as melodias e ritmos balantas. Nessa mesma linha surgiram cantores como Ramiro Naka e Tchando, que tiveram uma contribuição relevante para que a música guineense se tornasse sem fronteiras.

Kaba Mane - chefo Mae Mae Kaba Mane, álbum Chefo Mae Mae

Ramiro Naka Ramiro Naka

Tchando, primeiro álbum Naton (Hóspede) 1992 Tchando, primeiro álbum Naton (Hóspede) 1992

Atualmente, muitos artistas contribuem com a evolução do Gumbé, como Sidónio Pais, Justino Delgado, Manecas Costa, o grupo Tabanka Djaz, Rui Sangará, Dulce Neves, Nené Tuty, Buka Pussik, Maio Copé, entre tantos outros. Além, claro de influências internacionais que o Gumbé vai ganhando.

Sidónio Pais Sidónio Pais

Justino Delgado, álbum Lôla 1998 Justino Delgado, álbum Lôla 1998

Manecas Costa, álbum Fundo Di Mato Manecas Costa, álbum Fundu Di Matu

Grupo Tabanka Djaz Grupo Tabanka Djaz

Rui Sangará, álbum The Best of Rui Sangará Rui Sangará, álbum The Best of Rui Sangará

DULCE_NEVES_Álbum Mundo Rabida Genre Dulce Neves, álbum Mundo Rabida

Nene Tuty Nené Tuty

Buka Pussick Buka Pussick

Maio Copé, músicos Maio Copé e músicos

Fonte:

Gumbé.com

Didinho

Os Bijagós, de Guiné-Bissau. Será uma sociedade matriarcal?

IMG_7245 Arte Bijagós

Badjudas Bijagós Povo Bijagós

Uma das ilhas do Arquipélago de BijagósUma das Ilhas do Arquipélago de Bijagós

Não sei se todos vão concordar comigo, mas percebo que em África é muito valorizado o bom relacionamento entre as pessoas. Tratar um ao outro com honestidade, gentileza, lealdade e, acima de tudo, respeitar os mais velhos. Esse último é algo que talvez aqui no Brasil tenha se perdido um pouco do seu valor. Mas ainda vemos em alguns lugares, sim. O Coração Africano, no post de hoje, falará um pouco sobre a etnia Bijagós.

Esse povo é referência em Guiné-Bissau e dá nome ao conjunto de 80 ilhas que foram o Arquipélago dos Bijagós, o único deltaico da costa oeste africana. Em 1996, ele foi classificado pela UNESCO como Reserva da Biosfera. Os Bijagós representam 70% da população que ali habita e, além disso, mantêm um estilo de vida invejável: eles procuram estar em harmonia com a natureza, o que explica o estado de conservação dessas pessoas.

Outra curiosidade sobre os Bijagós é que eles estruturam a sociedade por faixa etária. Cada faixa tem suas características, e isso é decidido desde muito novo. As indumentárias de cada grupo são caracterizadas pela música, dança e também por meio do trabalho produtivo destinado ao grupo. O que é muito evidente, ainda, é o quanto eles têm respeito pelos mais velhos, principalmente à figura feminina. Muitos consideram os Bijagós como uma sociedade matriarcal. O termo matriarcado vem do latim e do grego, respectivamente, mater faz referência à mãe e archein à arca, a governar, reinar. Ou seja, uma sociedade considerada matriarca é quando o poder é exercido pelas mulheres, mais especificamente pelas mães, já que ao ter o privilégio de dar à luz confere à mulher o estatuto mais elevado da hierarquia familiar. A artista Eva Kipp mostra em seu trabalho a origem do mundo na visão dos Bijagós:

A origem de tudo

…e tudo começou assim: Deus, o Criador, existiu sempre, e no início, da vida foi criada a primeira ilha – a ilha de Orango – que era o mundo. Mais tarde chegou um homem e sua mulher, de nome Akapakama. Eles tiveram quatro filhas a que deram os nomes de Orakuma, Ominka, Ogubane e Oraga. A seguir surgiram os animais e plantas.

Cada uma das filhas de Akapakama teve por sua vez, vários filhos, os quais receberam, por parte do avô, direitos especiais. Os de Orakuma receberam a terra e a direcção das cerimónias nela realizadas, bem como o direito de fazer as estatuetas do Irã[i], tendo sido a primeira executada por Orakuma e feita à imagem do Deus. Este direito seria também dado por Orakuma às suas irmãs.

Os de Ominka receberam o mar e passaram a ocupar-se da pesca. Os de Oraga receberam a natureza com as bolanhas e as palmeiras, o que lhes daria a riqueza. Os de Ogubane receberam o poder da chuva e do vento podendo desencadeá-los, controlando assim o suceder das épocas da seca e da seca e das chuvas. Assim, as quatro irmãs desempenhavam funções diferentes, mas que se complementavam.

Já o socioantropólogo Rau Fernandes acredita que a sociedade Bijagós apenas exerce o sistema patriarcal diferente de outros lugares, mas que não são as mulheres a mandar em tudo. A forma como o sistema patriarcal acontece depende exatamente do grau de estruturação que as mulheres Bijagós têm e que se deve à maneira como elas se organizam ou como essa sociedade estruturou o processo de socialização.

Em suma, todo o poder dado ao homem ou à mulher depende de qual atividade o gênero será responsável: há onde a mulher manda e há onde o homem manda.

Fonte:

Buala

Camarões no Coração Africano. O Povo Bamileke!

Rei Bamileke Rei de origem Bamileke

images Povo Bamileke

i206365 Arte Bamileke

EstatuetaEstatueta de madeira

Na minha visita ao Museu Afro Brasil, vi algumas estatuetas feitas pelo povo Bamileke. Infelizmente, nem todas as expos do museu podem ser fotografadas, mas anotei o nome de alguns povos para procurar um pouco sobre eles. E então encontrei essas poucas informações e decidi compartilhar com vocês.

Mais uma vez, vamos falar um pouco sobre o povo Bantu. Mas, agora, de um pessoal que vive lá no noroeste e oeste de Camarões. E o pessoal de hoje será o povo Bamileke, um grupo étnico que faz parte do Bantu Semi. Eles são divididos em vários grupos, porém a única coisa que diferencia um grupo do outro é apenas o chefe ou fon, pois cada um tem o seu. Dentre esses grupos, o qual cada um possui seu chefe, podemos citar Bafang, Bafoussam, Bandjoun, Bangangté, Bawaju, Dschang e Mbouda. Os Bamileke também compartilham muita história e cultuta com os vizinhos da província Noroeste e nomeadamente a região de Lebialem da província Southwest.

Após a classificação Ethnologue, foram identificados 11 idiomas ou línguas diferentes, que você pode conferir clicando aqui. Quantos aos Bamileke, eles pertecem ao grupo Mbam Nkam de línguas Grassfields, que inclusive ainda há muito apego sobre a divisão Bantu que foi feita e ainda é bastante questionada. Isso porque alguns consideram que são Bantu ou semilíngua Bantu; e outros preferem incluir o Bamileke no grupo Niger-Congo.

Um pouco sobre a escultura Kongo

Em madeira 1 Em madeira 2 Em madeira

O ano de 2014 pra mim foi de grandes conquistas. Conquistei muitas amizades, muitos aprendizados. Nesse ano, nasceu o Coração Africano, blog que criei com a intenção de compartilhar com todos o que leio sobre África. Infelizmente não consigo postar tudo e gostaria de postar com mais frequência. Uma meta que tracei para este ano de 2015 é seguir uma pauta, e isso já comecei antes mesmo do início do ano. Porém, aceito sugestões para posts. Quem puder me ajudar divulgando-o também, ficarei profundamente agradecida.

Bom, pessoal, que todos tenham um ano repleto de realizações e sucesso. E sempre com Deus no coração!

Hoje, primeiro post de 2015, dediquei algumas linhas pra falar do povo Kongo. Senti vontade de postar sobre porque, ainda sobre a minha visita ao Museu Afro Brasil, vi algumas esculturas expostas, mas não pude fotografá-las infelizmente. Espero que gostem!

Chamamos de Kongo o povo que tem origem de três povos, que são os seguintes: Bakongo, Bashikongo e o Kakongo. Segundo historiadores, são, em média, 3 milhões presente em três países, a República Democrática do Congo, Angola e República do Congo. Dentro desses povos, há os subgrupos, que se unem para manter a cultura Kongo viva. Entre essas tribos, podemos citar o Vili, a Woyo e a Yombe; elas produzem uma vasta diversidade de estilos artísticos com destaque para a arte Kongo.

A maneira como eles demonstram suas tradições depende muito da situação. Geralmente, em momentos importantes, como a posse de um chefe ou em um funeral. Há ainda em suas tradições os produtos têxteis renomados e artes funerárias de estelas decoradas e estátuas funerárias em pedra, que muitas vezes retrata o chefe sentado de pernas cruzadas numa postura de momento de reflexão. Como eles acreditam muito na relação com espíritos, essas estátuas foram alocadas em túmulos para auxiliar os espíritos dos mortos para se juntar ao mundo do falecido.

Cada escultura tem seu significado, como tudo em África o tem. As esculturas de madeira representam esposas reais, caçadores, músico e curandeiros. Suas posturas variam: às vezes eles se ajoelham em uma posição de respeito, a cabeça inclinada ligeiramente para trás; mulheres podem ser representadas sentadas com a criança no pescoço ou no momento de amamentação. As estátuas comemorativas conhecidas como phemba foram projetadas para as mulheres que perderam um filho ou queriam outro. No geral, essas esculturas, geralmente sofisticadas e graciosas foram feitas para momentos felizes.

Os materiais que essas estátuas são feitas são, em sua maioria, em madeira. Porém, já foram encontradas muitas peças importantes em marfim e metal. Numerosas figuras de metal foram influenciadas pelos missionários portugueses – estatuetas de santos cristãos, por exemplo.

Mais detalhes podem ser encontrados aqui.