Um pouco sobre a arte das máscaras marfinenses

Como em vários países africanos, as máscaras na Costa do Marfim também são bem representativas. Eles usam-nas para representar animais em caricatura, para retratar divindades ou para representar as almas dos defuntos por serem consideradas sagradas. Nesse último motivo de uso das máscaras apenas as pessoas especialmente treinadas que estão autorizadas a usá-las, ou seja, familiares da pessoa falecida. Essa regra deve-se ao fato de os povos acreditarem que as máscaras têm uma alma ou força de vida e, quando o rosto de alguém entra em contato com a máscara é como se a pessoa que a vestiu estivesse emprestando seu físico para que a alma possa ser representada.

Na Costa do Marfim há mais de 60 grupos étnicos. Pela tradição, eles eram todos independentes, mas com o tempo e com as migrações internas e casamentos entre os grupos as tradições e costumes foram reduzindo e, com isso, também a identidade de cada grupo. Cada um tem filiações étnicas com grupos maiores que vivem fora das fronteiras do país. Os Baule e outros grupos que vivem a leste do Rio Bandama são afiliados com os Akan, de Ghana. O grupo Guro, também conhecido como Kweni, vive na região do Vale do Rio Bandama. Os povos da floresta a oeste do Bandama estão ligados com os povos Kru, da Libéria. No interior desse mesmo grupo, o Kru, existem subdivisões em pequenos grupos espalhados por grandes áreas de florestas. Os grupos Senufo, Lobi e Bobo estão amplamente espalhados pela região nordeste e também por Estados vizinhos. O povo We, às vezes chamado de Krahn ou Guere, é um povo indígena africano que vive em áreas da Libéria oriental e ocidental da Costa do Marfim.

Abaixo, vamos apresentar alguns povos, suas máscaras e significados:

MÁSCARAS BAULE

Máscara facial (Mblo) - Baule Máscara facial (Mblo) povo Baule madeira, pigmento, cânhamo séc. XIX-XX. (As máscaras Mblo, em geral usadas nas danças de entretenimento, são a forma mais antiga de arte Baule. Geralmente são retratos de determinados indivíduos). – Museu Metropolitano de Arte – MMA

Os Baule são agricultores que vivem no leste do país. Essa máscara é usada por eles quando terão algum evento especial, em ocasiões extremamente importantes, como a presença de algum visitante ilustre e também em funerais. A máscara é composta de uma face circular com chifres na sua parte superior. São usadas sempre pelos homens.

Máscara Kple Kple, povo Baule Máscara Kple Kple povo Baule, madeira e pigmentos. (O povo Baule assimilou várias formas de disfarce dos seus vizinhos: uma máscara facial naturalista, uma máscara de capacete com chifres e uma máscara lisa circular, chamada kple kple. Esta última, uma máscara masculina da categoria Júnior, é uma das várias obras adaptadas, que era usada em entretenimento de sociedade Goli ou funerais. Ele personifica um espírito de natureza rebelde que é considerado assustador e divertido. A face plana, em forma de disco com anilhas nos olhos e boca rectangular é encimada por ouvidos e grandes chifres de encurvamento. A coloração vermelha e negro tem toques de branco, enquanto a máscara feminina complementar seria pintada de preto). – Museu de Belas Artes de Boston – MFA

 MÁSCARAS DAN

Máscara, povo Dan Máscara povo Dan, madeira, fibra vegetal e conchas, séc. XX. (Esta máscara representa um espírito feminino da floresta, com rosto oval, olhos de fenda, lábios carnudos e tez lisa, sugerindo um ideal de beleza. O penteado com búzios é apenas uma parte do traje de máscaras, que consiste numa capa colorida e saia de ráfia). MFA

Na parte ocidental do país é onde se localiza esse povo, chamado de Dan. As pessoas que fazem parte vivem da caça e da agricultura. A máscara deles, que também leva o nome do povo – Dan – tem um formato curioso: ela se parece com uma lágrima invertida, com um nariz comprido e um queixo pontudo pequeno. Suas máscaras são feitas visando os elementos na sociedade, como educação, guerra, paz, regularização social e a diversão; cada uma com sua função e seu nome. Além dessas funções, elas encarnam por vezes os espíritos da floresta que, através de rituais, se alojam numa máscara especial. A cor marrom natural do papelão é semelhante ao corante marrom usado para as máscaras Dan, precisando de uma quantidade mínima para sua pintura.

Máscara facial para mascarado Gegon, povo Dan  Máscara facial para mascarado Gegon, povo Dan, madeira, pigmento, metal, cabelo e fibra, 1920-1950. (O desempenho dos mascarados Gegon, destina-se a fins de entretenimento.  Os gestos do dançarino simulam os de um pássaro. Ele finge bicar o chão e abre os braços como se fosse voar. O Gegon pode aludir ao Tucano, que é o rei de todos os pássaros e o primeiro a ser criado). – Museu de Arte Indianápolis – IMA

MÁSCARAS SENUFO

Máscara facial (Kpeliye) Senufo Máscara facial (Kpeliye), povo Sanufo, madeira, chifres, fibra de ráfia, tecido de algodão, penas, metal, séc. XIX – XX.  (Ao longo do século XX, membros duma associação de iniciação Senufo, usavam pequenas máscaras de rosto, finamente esculpidas. As máscaras, conhecidas como kpeliye, apresentam delicados rostos ovais com decorações geométricas nos lados. Considerada feminina, a máscara com a sua graça e beleza, homenageava os anciãos Senufo falecidos. As penas e chifres de animais anexados a este exemplo são incomuns e reflecte eventualmente, o poder do seu dono e neutraliza as forças negativas na Comunidade).-MMA

Esse povo tem como principal atividade a agricultura. São mais de 1 milhão de pessoas e habitam vários países vizinhos, entre eles está o noroeste da Costa do Marfim. Essas máscaras são usadas por eles em momentos importantes para a educação dos jovens, como no ensino das tradições e das responsabilidades, para proteger a vila de feitiços, em funerais e para lembrar as imperfeições humanas. Há um tipo de máscara, conhecida como Kpeliye, que representa um rosto humano ricamente decorado; usada por homens, ela atua como personagens femininos. Toda a arte desse povo é feita por artesãos especializados. Em sua arte, eles focam na representação dos antepassados, miniaturas de bronze e estátuas, que são usados na vaticinação*.

Máscara facial, povo Senufo Máscara facial, povo Senufo, bronze, 1950? (Esta máscara de metal foi provavelmente criada durante a década de 1950, numa oficina comercial perto de Korhogo. É uma interpretação contemporânea das peças de arte que fazia parte integrante da vida cultural das comunidades Senufo.) – MMA

MÁSCARAS WE

Esse povo, muitas vezes chamado de Krahn ou Guere, tem a presença masculina na confecção de suas máscaras. Geralmente, elas começam como objetos simples, sem adornos. Conforme as gerações vão passando, cada usuário adiciona novos adornos, crescendo em poder e significado ritual. As máscaras têm uma posição importante dentro da comunidade We; elas são propriedades das famílias e usadas na vida social desse povo. Sua função dentro dos costumes deles também é de tomar a posição de mediador entre os membros e como uma ferramenta, a fim de ensinar as lições de moral durante os conflitos civis ou entretenimento público. As máscaras, criadas para assustar, têm as mandíbulas escancaradas, o nariz alargado e olhos tubulares. Ela também é vista como poderosa ao retratar a natureza mais assustadora dos animais. A pessoa que usa as máscaras veste uma saia imensa em ráfia e é seguida por uma equipe de acompanhantes.

Máscara facial, povo We Máscara facial, povo We, madeira, pigmento, metal, fibra, conchas e pano, séc. XX. (As máscaras We, são consideradas como entidades espirituais e são usadas durante a resolução de conflitos e outras actividades civis, bem como durante o entretenimento do público, onde, por vezes, aprendem lições de moral. Os sinos sobre esta escultura indicam que é uma máscara feminina). – Museu de Arte Indianápolis

Máscara, povo We 1 Máscara, povo We, madeira, cabelo humano e animal, corno, algodão, pigmento, séc. XIX – XX – MMA

Máscara, povo Guere 
Máscara, povo Guere, 
madeira, lata, fio, pano, fibra, pregos, cartuchos, cabelo humano, séc. XIX-XX – MMA

Máscara facial, povo We 2 Máscara facial, povo We 2, madeira, pigmento, conchas, pano, fibra, peles, papel, metal, penas, séc. XX (Uma máscara tridimensional, eriçada, como um leopardo rosnando, é engenhosamente construída com penas, conchas, peles e outros materiais. Detalhes agressivos como conchas e dentes afiados de leopardo em madeira, nos lados e na parte inferior, indicam que a máscara se destina a uma pessoa do sexo masculino. Um artista masculino fez a máscara e outros ao longo do tempo de uso, foram acrescentando objectos). – IMA

Máscara, povo Guere 2 Máscara, povo Guere 2, madeira e fibras pintadas. ( Estas máscaras são muitas vezes são usadas durante funerais. Os olhos esbugalhados, os dentes desagradáveis e a trave no nariz são muito assustadores. Às vezes, conchas, sinos, pregos e outros elementos são associados. Esta máscara é nova e foi feita para a venda). – Máscaras no Mundo

MÁSCARAS GURO

Máscara (Zamble), povo Guro Máscara (Zamble), povo Guro, madeira com pigmentos, séc. XX. (Os chifres são a marca da máscara zamble, que retrata o antílope Bauala. O mascarado zamble, coloca um pano sobre as suas costas, uma saia de fibra e outros apetrechos. Veste a pele de um gato selvagem, associado com o deserto. A sua marca é um chicote, que racha vigorosamente). – Museu de Belas Artes de Boston – MFA

Na cultura do povo Guro são feitas distinções entre os mascarados que é o foco dos cultos e os que são ligados à natureza. Uma sequência de três máscaras sagradas gira em torno de Zamble, um homem mítico, cuja forma funde as características do antílope e do leopardo. Ele, por sua vez, é complementado por a sua bela esposa, Gu, e o seu irmão selvagem, grotesco, Zuali. Em cerimônias, as máscaras de animais, Je, são as primeiros a aparecerDeusvo. Só podia ser o #NovoUno ntre no #s m mais assustadoras dos animais. tual. forme v por  e a preparar o público para o desempenho das figuras antropomórficas.

Os estilos Guro e Baule são difíceis de separar. O estilo Guro, no entanto, tem uma ou duas marcas distintas: a face da máscara humana é geralmente alongada e a forma do perfil é elegante. Há policromia, bem como o preto e castanho nas máscaras polidas. O penteado é muitas vezes esculpido e elaborado em padrões geométricos. Há também máscaras humanas com chifres longos e estruturas, na forma de uma ou duas figuras humanas.

Máscara facial (Gu), povo Guro Máscara facial (Gu), povo Guro, madeira e pigmentos, Séc. XIX – XX – Fundação Barnes

Máscara facial, povo Guro Máscara facial, povo Guro, madeira, fibra de plantas e pigmentos, séc. XIX-XX – Fundação Barnes

Máscara de cabra (Je), povo Guro Máscara de cabra (Je), povo Guro, madeira, penas, algodão, materiais do sacrifícios, séc. XIX – XX – MMA

Nota: *Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, vaticinação tem como variante o vocábulo predição: 1. Ato ou efeito de predizer, de afirmar o que vai acontecer no futuro; profecia, previsão, vaticínio. 2. O fato que se predisse.

Fontes:

Ehow

Com Jeito de Arte

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Um pouco sobre a Costa do Marfim no Coração Africano

Mapa Costa do Marfim 1 Mapa Costa do Marfim Costa do Marfim e entorno

Por que Costa do Marfim? Começando pelo motivo do seu nome, este se dá pelo fato do grande número de elefantes que tinha no país colonial; hoje, eles podem ser vistos concentrados todos no Parque Nacional Comoé.

Parque nacional do Comoé, Costa do Marfim 1Parque nacional do Comoé, Costa do Marfim

Apesar de, em português, usarmos o nome Costa do Marfim, em 1985 o governo marfinês solicitou à comunidade internacional que o nome do país fosse designado apenas por Côte d’Ivore. O país está localizado no oeste do continente africano fazendo fronteira com Mali e Burkina Faso a norte; Gana a leste; Libéria e Guiné a oeste e ainda tem ao sul o Oceano Atlântico. Como muitos países africanos, a independência da Costa do Marfim é bastante jovem, aconteceu em 7 de agosto de 1960.

Costa do Marfim é bastante conhecido aqui no Brasil em razão da sua presença no futebol, principalmente no Mundial, que acontece a cada quatro anos. Porém poucas pessoas ainda não sabem o quanto o país é próspero. Isso se deve ao fato de terem na produção do café e do cacau sua riqueza. Além disso, a indústria alimentícia, têxtil, a exploração de petróleo e gás natural e extração de diamantes contribuem bastante para a economia do país.

A Costa do Marfim ainda conta com sua beleza natural, constituída pelas maravilhosas praias, paisagens com fauna e flora variadas que abrangem a savana arbórea com presença de leões, antílopes, elefantes, chimpanzés, hipopótamos anões, tudo isso em seus bosques equatoriais com árvores de mais de 20 metros de altura. Com a beleza natural, acrescento ainda a existência de diversos grupos étnicos, mais de 60. Mas, infelizmente, essa diversidade faz com que haja muitas diferenças culturais no país causando os conflitos entre esses grupos.

IGalerie Paisagem

Mais curiosidades:

– Katyola é uma cidade famosa pela cerâmica. Nas ruas, pode-se contemplar várias cabanas convertidas em atelieres onde as mulheres Mangoro modelam os utensílios.

– A Basílica de Nossa Senhora da Paz de Yamoussoukro, capital do país, é uma igreja católica classificada como a maior igreja cristã do mundo. Ela foi construída entre 1985 e 1989 baseada na Basílica de São Pedro no Vaticano.

Basílica Nossa Senhora da Paz, localizada em Yamoussoukro. BasílicaBasílica Nossa Senhora da Paz, localizada em Yamoussoukro

– A Costa do Marfim é um país francófono, ou seja, sua língua, música, literatura e cultura sofrem grande influência francesa.

– As curandeiras de Tengouélan, praticam uma magia curiosa que praticam a arte da adivinhação. Após uma longa marcha reúnem-se em um lugar sagrado onde chamam os espíritos, envolvidas em um pó branco e concentradas numa dança magnífica.

– Na culinária marfinês o destaque é para a yassa, uma espécie de manjar à base de frango com molho de cebola, limão e pimentões, servido com arroz fervido.

Fontes:

Brasil Escola

Sodexo Club