Divando com a moda afro

capa

Hoje em dia está virando moda mulheres e homens usarem turbantes. Apesar de hoje ele ter uma representação apenas como acessório para algumas pessoas, não deixou de ter seu significado nas tradições africanas. Vale comentar também que além do turbante, roupas africanas e o estilo de cabelo afro estão bem mais presentes na moda brasileira. Como o Coração Africano se dedica à cultura africana e afro-brasileira, resolvi dedicar algumas linhas sobre os novos estilos que muita gente está adotando e me deixa feliz demais.

De alguns anos para cá, percebo que as mulheres com cabelo crespo e cacheado têm substituído o alisado e o uso da chapinha pelo natural. Acredito que é normal o mundo seguir tendências. Então, teve a época da chapinha esquentada no fogão (sim, eu fiz parte disso) e que ao lavar os cabelos ele voltava à sua textura original.

Chapinha antiga 2 Esse tipo de chapinha tinha que ser aquecido no fogo e, para alisar o cabelo, tinha que pegar pouquíssima quantidade de cabelo para passá-la.

Chapinhas antigas Chapinha, pente para soltar o cabelo antes da chapinha e tesouras para enrolar o cabelo. Todos aquecidos no fogo.

Depois disso vieram os produtos milagrosos que alisam o cabelo e precisávamos apenas dar um retoque final fazendo escova; em seguida, a chapinha elétrica também ganhou seu espaço para deixar nossas madeixas mais bem-modeladas. Essas duas últimas formas de alisar os cabelos ainda são bem usadas, acredito que vai demorar para que sua reputação caia, se cair definitivamente um dia.

Alisantes Alisantes

prancha-gama-ion-detalhes Prancha (chapinha) elétrica

Porém, agora, está perceptível que o estilo cacheado, black, enfim, o crespo/cacheado natural está retomando seu lugar na cabeça da mulherada. Para muita gente não o que se fazer com o cabelo crespo, há pessoas que se sentem envergonhadas por ter o cabelo assim. Ledo engano, tolice pura. Nosso cabelo é um dos mais flexíveis para fazermos o que quiser com eles: prender, usar turbante, usar tiaras, tranças, bigudins para dar formatos diferentes. O black power, por exemplo, além de ser estiloso tem uma uma história interessante na sociedade. Ele foi um movimento negro, principalmente nos Estados Unidos, entre o fim da década de 1960 e o início da década de 1970. Os negros usavam esse estilo de cabelo como movimento de orgulho racial, racismo e uma forma de lutar por uma posição positiva dos negros na sociedade.

1380801_10202170657010946_1305775657_n  Black PowerBlack Power  Black Power

Trança Tranças soltas

Bigudins e cabelo Bigudins e seu efeito nos cabelos. Lindo!

A moda afro ainda expandiu sua participação para as vestimentas. Ela divide espaço com o estilo vintage (retrô). As roupas com tecido africano têm sido muito bem requisitadas tanto por homens quanto para mulheres. Além das roupas confeccionadas especialmente com esses tecidos lindos e maravilhosos, acessórios também têm sido feitos com eles. Algumas pessoas ainda não se acostumaram com a ideia porque os tecidos africanos costumam ser bastante coloridos em suas estampas. E é exatamente isso que os torna tão especiais. Para mim, a mistura de cores retrata a diversidade africana no que se refere à tradição, jeitos das pessoas e riqueza cultural que o continente tem. Outro detalhe sobre moda que deixa muitas mulheres e homens preocupados é em qual ocasião usar determinado modelo. Pois bem, a moda afro nos permite usá-la desde praias a lugares mais formais.

okan1-1024x443 Modelitos Tecido africano Tecido com amarração para vestidoTecido de Angola 1  Tecido de Angola Tecidos africanos

Dentro desse mundo da moda, agora está sendo bastante usado o turbante. Ele tem toda uma história social e religiosa, além da beleza. Além dos povos do oriente, ele também faz parte da cultura africana e, claro, brasileira. Saliento que não somos descendentes de escravos. Somos descendentes de africanos que até tinham posições importantes em suas terras e que foram escravizadas aqui no Brasil pelos portugueses. Portanto, se ouvir por aí pessoas chamando o turbante de coroa, já sabe que ele não é simplesmente um acessório para embelezar nosso look. Ele é mais do que isso, é uma forma de representar mulheres de atitude, sejam elas brancas ou negras. E há alguns homens que também são adeptos ao turbante tanto pela estética como social.

Turbantes:

1509066_10205572739700887_821573174357511787_n Turbante 1 Turbante 2

Turbante Brasil

Turbante

Tecido africano como turbante ou como vestido:

Turbante e vestido

Perceberam que eu adoro a moda africana, né? Com ela, sinto-me realizada, em casa e super à vontade. Experimentem e depois me contem o que acharam.

Beijos

Gláucia Quênia

Advertisements

O segundo maior grupo étnico na Nigéria: os Iorubás

mapa

Localizados na região sudoeste da Nigéria e sul do Benin, os iorubás são grandes responsáveis pela história da cultura africana. O idioma ioruba é falado principalmente na Nigéria e é bastante complexo e preso às suas tradições. Além de ser o segundo maior idioma do país, ele é falado também em várias seitas espalhadas pelo mundo, como na República do Benin, Cuba, Brasil, Trinidad e Estados Unidos. Segundo historiadores, este povo vem de um núcleo aborígene ancestral, que fica pelos lados da cidade de Ifé, antes de ser julgado pelo guerreiro Oduduwa, considerado o criador dessa civilização.

Há especulações de que as crenças iorubás são das bases helenistas, nada ainda foi comprovado. Tanto é que há estudiosos que acreditam que a cultura deles são heranças do Egito e há estudiosos que discordam achando que estão mais voltados à cultura da Núbia. Como os povos africanos costumam manter suas tradições por meio do poder da oralidade, por isso ainda essas teorias são consideradas hipóteses. Ao mesmo tempo que essa maneira de preservar seus costumes acaba causando incertezas naqueles que se dedicam à cultura africana, essa prática da oralidade é normal para eles. No caso das tradições iorubás, elas são mantidas ao longo dos séculos nos Poemas Sagrados de Ifá, que é de onde eles extraem a base fundamental para preservar seu legado, independentemente se estão longe de suas casas, como Brasil e Cuba.

Para eles, manter a tradição da oralidade ao passar seus costumes aos seus descendentes é algo sagrado, pois traz o mistério do culto àquilo que está além dos olhos humanos. A palavra oral para o africano é como uma estrutura necessária para que a cultura original deles seja transmitida com preservação de geração em geração. Dentro desse contexto da oralidade iorubá estão os Oriki – evocações; os Orin – cantos; os Orin-Esa – cantigas em louvor aos ancestrais masculinas; os Orin-Efe – canções às ancestrais femininas; as Aduras – orações; os Ibás – saudadções. Nos poemas maiores, os Iremoje e o s Ijala, estão preservados os elementos mais significativos da trajetória mitológica deste povo.

1805898030_3eba3e96a8_b

Outra formalidade importante desse povo é quando nasce alguém. A criança, ao nascer, é festejada com as boas-vindas da comunidade inteira, todos felicitam os pais do recém-nascido fazendo pedidos em conjunto para que o filho do casal tenha um futuro feliz e próspero. O nome do bebê é escolhido pela família de acordo com as circunstâncias do nascimento da criança. Os pais observam as tradições da família e até fenômenos naturais do momento do nascimento para que possa dar o nome à criança.  Após a determinação do nome, o pai ou parente mais velho tem que anunciar o dia que vai dar o nome ao filho. Esse dia é chamado de Ikomojade. Antes, para os meninos, o dia da nomeação acontecia um dia após o nascimento; para as meninas acontecia no sétimo dia e, para gêmeos de ambos os sexos, no oitavo dia de nascimento. Atualmente, para qualquer recém-nascido a nomeação é feita no oitavo dia de nascimento. O dia de nomear o bebê não é simplesmente acordar e pronto, dar o nome. Em torno desse acontecimento é feita toda uma preparação, é realizada uma cerimônia ao ar livre. A criança deve estar com os pés descalços, pois nesse ritual é que ela terá seu primeiro contato com a terra. Inclusive, será a primeira vez que sairá de dentro de casa. Todos da comunidade fazem questão de dar boas-vindas ao recém-nascido. O ritual começa por um ancião após toda a entrega dos presentes que as pessoas levam. É feito todo um ritual com água, pimenta e sal com cada um tendo seus significados.

Quando o assunto é morte, os iorubás e outros grupos africanos acreditam que morte e vida é um ciclo. Eles creem na volta do espírito em outro corpo de alguém que vai nascer na mesma família que esse espírito viveu enquanto encarnado. Essa volta, os iorubás chamam de “Babatundê”, que significa o pai renasceu. O mundo onde vivemos, este em contato com a natureza, eles chamam de aiê; já o mundo onde vivem os desencarnados, os mortos, os espíritos, onde estão também as divindades eles chamam de orum (céus). Então, quando morre alguém os iorubás acreditam que o espírito dessa pessoa vai para orum (céus), de onde pode voltar para aiê. Alguns espíritos são adorados pelos membros da comunidade e se manifestam em festas de egungum por meio do corpo de sacerdotes que se dedicam a essa parte do ritual africano, esses sacerdotes são chamados de Babansìkù. Os espíritos que estão incorporados realizam a função de orientar as pessoas que vivem naquela comunidade.

A fé também é um fator muito importante para os iorubás, eles têm nela a base pra viver bem. Independentemente para o que precisam dela, eles depositam na fé que tudo vai acontecer da melhor forma. E mesmo quando a resposta para o que querem não é a que esperava, eles não se aborrecem com os orixás, pois entendem que nem sempre o que querem é o melhor para fazê-los felizes. Admirável essa maneira de pensar e agir. E mais, sabem que se jamais os orixás darão uma missão a eles além daquilo que aguentam suportar.

Na arte, os iorubás acompanham o mesmo talento de outros grupos étnicos. Eles têm uma rica comunidade artesanal. O costume de arte e artesãos entre o iorubá é assinalado no corpo literário Ifá, que indica os orixás Ogun, Obatala, Oxum e Obalufon como central à mitologia de criação.

Escultura cabeça de bronze Yoruba, Ife, Nigéria c. século 12 A.D. Escultura cabeça de bronze Yoruba, Ife, Nigéria c. século 12 A.D.

Peça clássica, em terracota, produzida durante o reino Ifê ou Ilé-Ifê iorubá, na Nigéria, entre o século IX e o século XII Peça clássica, em terracota, produzida durante o reino Ifê ou Ilé-Ifê iorubá, na Nigéria, entre o século IX e o século XII

Fontes:

InfoEscola

Centro Anastácia

Civilizações Africanas

Serge Beynaud (Costa do Marfim)

Já estamos falando da Costa do Marfim nos últimos posts, que tal um sonzinho bem gosto de ouvir dos marfinenses. Hoje, lendo alguns dos sites que gosto sempre de visitar me deparei com esse som.
Serge Beynaud tem sido considerado um fenômeno francês para a juventude africana. Seu primeiro single, “Seul Dieu”, fez tanto sucesso que ultrapassou fronteiras internacionais. O artista segue sua música pra um lado mais modernizado do clássio coupé-décalé (ou o contrário?), que é um estilo africano bastante percussivo com graves profundos, com repetições e arranjos minimalistas. Clique aqui para saber um pouco mais sobre Serge Beynaud. Já perdi as contas de quantas vezes escutei a música. Bom, chega de tanto falar e vamos ao que interessa.