Reino de Suazilândia.

Pouco se fala da Suazilândia e, por isso, o Coração Africano resolveu abrir um post sobre esse país administrado pela monarquia. Suazilândia tem como nome oficial Reino da Suazilândia. Está localizado na África Austral, tem limite a leste com Moçambique e todos os outros limites se fazem com África do Sul. O país não tem saída para o mar, ainda possui uma sociedade patriarcal e formada por clãs, admite a poligamia. A economia deles é baseada na agropecuária, apesar de não conseguirem se manter com a produção de alimentos. O ponto negativo na vida do país é que lá está o índice mais alto de portadores do vírus da AIDS, 1/3 da população. A história do país é datada desde o século XVI com a origem do povo suazi. Conta a tradição que esse grupo é resultado de outro que, por influência do clã Dlamini, se separou do conjunto banto que estavam em direção a Moçambique. Em 1836, o rei Sobhuza I morreu e acredita-se que seu sucessor, Mswati (Mswazi) II quem deu seu próprio nome à tribo. A continuação da viagem do povo suazi ao norte de Moçambique proporcionou a eles a conquista de muitas tribos pelo caminho.

Para quem gosta de estar no meio da natureza vai gostar muito de visitar o Reino de Suazilândia. Lá, é normal você passar pela estrada e encontrar alguns anfitriões atravessando-a: antílopes, zebras e até girafas. Outros elementos que também fazem parte do cenário desse país que poucos conhecem são as cabanas típicas zulus e a paisagem. O país é muito pequeno, quase faz parte da África do Sul. Se você estiver passeando pela África do Sul é capaz de estar na Suazilândia de repente e até usar a mesma moeda nos dois países. Se for à África do Sul, vale a pena dar uma esticadinha até Suazilândia e conhecer um pouco mais dessa reserva natural que a África oferece num lugar tão pouco visitado.

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Mapa

Fontes:

Wikipedia

Mochila Brasil

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As mulheres de Gungunhana

250px-Ngungunhane_Gungunhana  Gungunhana

Gungunhana nasceu em Gaza, Moçambique, no ano de 1850 e morreu em 23 de dezembro de 1906, em Angra do Heroísmo, Portugal. Seu reino estendeu-se de 1884 a 1895. Ele foi um soberano africano muito rico e poderoso. Sua história se passa em meados do século XIX, nas terras do sul de Moçambique, entre os rios Incomáti e Zambeze. Essa figura era muito considerada pela sociedade em razão da sua riqueza, composta por ouro, rebanhos de gado e marfim. Além disso, ele possuía em média 300 esposas. Para os pais dessas moças era uma honra tê-lo como genro e protetor. E nelas é que vamos dedicar o post de hoje.

Ainda em Lourenço Marques, no início de 1896, o Régulo de Gaza com as suas sete mulheres. Para Lisboa foram dez mulheres, sendo três de um seu colaborador. Ainda em Lourenço Marques, no início de 1896, o Régulo de Gaza com as suas sete mulheres. Para Lisboa foram dez mulheres, sendo três de um seu colaborador

Num conflito que ocorreu em dezembro de 1895, Gungunhana foi derrotado po Coolela após várias negociações e até um incêndio em Manjacaze, capital de Gaza. Ele se tornou prisioneiro em Chaimite pelo oficial português Mousinho de Albuquerque. Como ele teria que sair do país, foi-lhe concebido o direito de levar sete das suas esposas: Namatuco, Patihina, Muzamussi, Xesipe e Dabondi. Após se organizarem com suas poucas coisas, eles seguiram viagem para Xai-Xai; de lá, na foz do Limpopo, os prisioneiros passaram para o navio Neves Ferreira, que os transportaram até Lourenço Marques. Ao mantes todos presos, não havia divisão na cadeia de espaço para homem e mulher, era tudo misturado até que fossem levados para bordo da África e a partir daí seguiram viagem para Lisboa, que durou em torno de 60 dias. As condições do Navio eram escassas para os prisioneiros, sentiam enjoo, asfixia e ainda tinha o fato da imobilidade em razão do pouco espaço que estavam alocados. E quando o navio fazia alguma escala, eles eram mantidos presos a chaves pra que não fugissem.

Moçambique, 1895 - Baixo relevo da estátua do Gungunhana, em Lourenço Marques. Prisão do Gungunhana por forças comandadas por Mouzinho de Albuquerque.

Moçambique, 1895 – Baixo relevo da estátua do Gungunhana, em Lourenço Marques. Prisão do Gungunhana por forças comandadas por Mouzinho de Albuquerque

Ao chegarem a Lisboa, foram recebidos por risos, gritaria, vaias, insultos. As mulheres africanas não entendiam nada em português e em razão disso, não sabia o que os portugueses estavam falando. Elas ficaram encantadas com a cidade, com as esculturas, ruas diferentes das que estavam acostumadas. Enfim chegaram ao destino que os aguardava, Forte de Monsanto. O local onde iam ficar era totalmente precário, escuro, com uma profundidade de seis metros abaixo da superfície, malcheiroso, úmido e frio, tudo que causasse terrorismo a eles estava nesse lugar. Para aquelas mulheres e todos os outros, viver num lugar fechado era terrível, pois eram pessoas que estavam habituadas a viver livremente, em contato com a natureza. Mas como não ia adiantar fazerem nada que mudasse a situação, foram obrigados a se acostumarem com a nova situação, tanto que aprenderam a utilizar talheres e passaram a se vestir com roupas europeias.

Como elas eram acostumadas a se movimentarem, a trabalharem, arrumaram logo uma ocupação. Elas se penteavam das mais diversas maneiras artísticas. Na cultura delas, as mulheres pequenas, as rainhas de segunda classe, não podiam usar o mesmo tipo de penteado que elas. A esposa favorita ficava encarregada de cuidar da coroa de cera que o marido usava e que era tecida no próprio cabelo. E ainda se dedicavam ao artesanato: faziam pulseiras e colares de missangas, por exemplo. Recebiam visitas das esposas dos ministros ou qualquer outra autoridade, mas apenas com a autorização do Ministério da Guerra. Essas esposas levavam presentes, eram simpáticas; mesmo não conhecendo a língua das mulheres de Gungunhana, tentavam se comunicar através de gestos. Essas visitas faziam vem aos presos, mas numa certa altura as autoridades proibiram as visitas e então começou o inferno. Crises de mau humor, histeria, emoções descontroladas. Eles deviam obediência ao governo português e se suas mulheres chorassem, os homens que era punidos. Essa situação era terrivelmente angustiante para Gungunhana de tal forma que ele acaba adoecendo gravemente e vai para o hospital. As rainhas ficaram estarrecidas, deixaram de comer e algumas até ficaram doentes também. A recuperação do marido foi motivo de festa para as esposas, mas nessa fase a imprensa já tinha deixado de se interessar pelos prisioneiros africanos. A única notícia que se tem é que eles viveram durante três meses na solidão. Quando chegou junho de 1896, no exato dia 23, o governo anuncia a partida de Gungunhana e de seus três companheiros para Açores no dia seguinte; e sem suas respectivas esposas. Esposas essas que foram muito ridicularizadas e rejeitadas pela sociedade portuguesa em razão da prática da poligamia, o que era normal na cultura delas, mas para os europeus isso era pecado e decidiram então separar todos mandando os homens para Açores. Foram duas semanas de muita dor e sofrimento longe de seus companheiros, desamparadas, até que o Ministério decidiu manda-las para a ilha de São Tomé. A viagem foi com muita tristeza, cada uma presa à sua tristeza por causa da forçada separação. Em Açores, tentaram convencer Gungunhana a escolher apenas uma mulher, afinal, para eles, era pura promiscuidade ter mais do que uma publicamente; os nativos desse local eram muito religiosos e jamais aceitariam essa situação. Acontecer uma coisa dessa, para as esposas, seria uma grande humilhação; e Gungunhana as amava igualmente, não saberia escolher com qual ficar e nem queria fazer isso.

Por fim, elas chegaram à ilha de São Tomé após 12 dias. Aportaram num país que recebia muitos imigrantes, dos mais diversos lugares da África. Povos que se odiavam, falavam dialetos diferentes. Enfim, foi para essa confusão que as esposas foram entregues por Portugal, tanto as mulheres de Gungunhana quanto as esposas do companheiro dele, que eram três. Lá, elas receberam trabalhos de acordo com o que o país tinha a oferecer. Elas que foram mulheres que os europeus só tiveram interesse até conquistarem o reino no qual elas faziam parte. Depois que conseguiram vencer o soberano e prendê-lo, elas caíram no esquecimento. As rainhas de Gaza, do soberano Gungunhana, e de Zixaxa, de onde era o seu companheiro ficaram apenas para a história delas. Durante quinze anos ficaram no anonimato, tendo suas dores e sofrimentos ignorados.

Em 1910, a república é implantada  e mudaram algumas coisas, e para elas para melhor. Uma alma boa se lembrou dessas mulheres que passaram por tanto sofrimento durante anos e manda busca-las em São Tomé. Gungunhana havia falecido há quatro anos quando isso aconteceu.  Elas foram recebidas com muita festa, muita alegria, muita euforia em suas casas, Moçambique. A parte ruim é que muita coisa mudou, Gaza havia se tornado distrito da colônia Moçambique, os familiares delas tinham-se espalhado, cada um teve um rumo na vida. Perceberam também que muitos dos costumes africanos tinham sido substituídos pelos europeus. Aliás, das sete mulheres, apenas quatro voltaram porque três faleceram ainda em São Tomé. A volta para casa, as mudanças que aconteceram na ausência delas, causaram-lhe medo e cada uma seguiu sua vida.

Gungunhana, ostentando ainda a coroa de cera, aquando da sua captura pelo Exército Português (Dezembro de 1895)Gungunhana, ostentando ainda a coroa de cera, aquando da sua captura pelo Exército Português (Dezembro de 1895)

Fontes:

The Delagoa Bay World

Wikipedia

Saiba quem foi Thomas Sankara. Para os mais íntimos, Sankara.

Thomas Sankara colorido

Ultimamente, o assunto geral da população tem sido política. Infelizmente, em razão do momento atual que o mundo passa, aqueles que fizeram bem à população são esquecidos. Portanto, o Coração Africano vem hoje falar sobre uma personalidade que marcou muito a vida dos burkinenses: Thomas Isidore Noël Sankara, chamado mesmo de Thomas Sankara. Ele foi um militar e líder político de Burkina Faso. Vejam só!

Antes de se chamar Burkina Faso, o nome do país era República do Alto Volta. E foi nessa época que Sankara começou sua história. Ele foi um capitão muito conhecido e primeiro-ministro; ainda foi o quinto presidente voltense e na sequência o primeiro presidente do país como Burkina Faso. Vários projetos ligados à melhoria da vida da população estão na lista do que ele fez pelo país. Sankara enunciou os objetivos da revolução democrática e popular com tarefas pra eliminar a corrupção, a luta contra a degradação ambiental, o empoderamento das mulheres e aumentar o acesso à educação e cuidados com a saúde. Tudo isso para que conseguissem enfraquecer o poder que os franceses tinham no país e para, enfim, eliminarem a dominação colonial. Ainda, trabalhou para a diminuição da mortalidade infantil, aumentou a presença feminina nos cargos governamentais e conseguiu banir a mutilação genital, a poligamia e os casamentos forçados. Percebam o quanto ele trabalhou em prol do bem da população. E não foi só isso, em relação ao meio ambiente ele também atuou positivamente plantando 10 milhões de árvores com a finalidade de dificultar a desertificação.

Tomas-Sankara

Ao completar um ano no poder foi que mudou o nome do país de República do Alto Volta para Burkina Faso, que significa ‘terra de pessoas honestas (íntegras)’ em mossi e dyula, as duas línguas indígenas mais faladas no país. Em razão dessa alteração de nome, Sankara mudou todo o resto: bandeira e hino nacional. Mas como nem tudo são flores, e como em tudo há também o lado negativo, suas ações e ideias foram de encontro às opiniões da oposição, claro que isso tem que acontecer, normal na política e em tudo na vida. Os problemas econômicos internos e as políticas sociais mais progressistas desagradavam muito os setores mais conservadores. Países vizinhos também se incomodaram, entre eles Togo e Costa do Marfim, além de França e Estados Unidos. Em razão disso, Sankara foi perdendo a credibilidade e apoio popular, conflitos internos cresceram e Sankara foi assassinado num golpe de Estado em 15 de outubro de 1987, há quase 28 anos exatos.

Hoje, seu túmulo, em Ouagadougou, é visitado todo 15 de outubro. Admiradores viajam de vários lugares da África para estar perto daquele que trouxe esperança para os africanos de hoje, que com sua força é lembrado pelos seus conterrâneos de que se deve lutar sempre pelos ideais, pela melhoria de cada um. Ele é tão idolatrado pelos africanos, principalmente pelos burkinenses, que o chamam de Sankara, pois o costume no país é chamar os presidentes pelo nome. Mas pra eles, Sankara foi mais do que presidente, foi também um ser humano símbolo de luta.

Fonte:

Wikipedia (quando a pesquisa tem como fonte Wikipedia, o Coração Africano procura em outros sites também confiáveis se as informações batem)