A Importância da África para a História do Brasil / L’importance de L´Afrique Dans L’Histoire Du Brésil

Olá, pessoal. Reconheço que ando em falta com o blog Coração Africano. Em razão de assuntos pessoais, acabei me afastando um pouco das publicações, mas agora tudo está se alinhando e conseguirei retomar ao compartilhamento do que aprendo aqui neste espaço.

O retorno ficará registrado com uma novidade que, para mim, Gláucia, é muito gratificante: meu artigo publicado numa revista de História de Fortaleza, Brasil. O resumo do texto está logo abaixo, para acessar o material completo, CLIQUE AQUI. Até breve.

A IMPORTÂNCIA DA ÁFRICA PARA A HISTÓRIA DO BRASIL

Gláucia Quênia Bezerra de Lima

Resumo

Durante muitos séculos, o continente africano foi negligenciado pelos europeus. Eles roubaram toda a herança que a África construiu dentro da cultura, filosofia e ciência tornando hegemônicas essas áreas. É importante que, com a fácil acessibilidade a referências que a tecnologia oferece hoje ao ser humano, os africanos do continente e da diáspora passem a alimentar-se do conhecimento deixado por seus antepassados. A África tem sua própria e rica História, mesmo antes da invenção da escrita. E quando se fala África, é tanto o norte do continente, acima do Saara, como a parte Subsaariana já que muitas pessoas não associam o Egito, por exemplo, como um país africano. Chegou a hora de conhecer a verdadeira história africana pelos próprios africanos e não pelos europeus, que tentaram e conseguiram deturpar totalmente quaisquer informações positivas sobre o continente berço da humanidade. Portanto, este artigo visa a ajudar o leitor a construir seu próprio senso crítico por meio dos autores que defendem a importância da África para a História do Brasil. 

PALAVRAS-CHAVE: História da África; ciência; cultura; diáspora; Afrobetização

L’IMPORTANCE DE L’AFRIQUE DANS L’HISTOIRE DU BRÉSILRÉSUMÉDurant plusieurs siècles, le continent africain a été négligé par les européens. Ils ont volé l’héritage que l’Afrique a construit dans la culture, la philosophie et science, devenant eux-mêmes hégémoniques dans ces secteurs du savoir. Avec l’accès facile aux informations que la technologie offre, il est important que les africains du continent et de la diaspora s’alimentent des connaissances légués par leurs ancêtres. L’Afrique a sa propre riche histoire, avant même l’invention de l’écriture. Et quand il s’agit de l’Afrique, c’est à la fois le maghreb et la partie subsaharienne. L’heure est arrivé de connaître la vraie histoire du continent par les propres africains, car les européens ont tenté de detruire et d’ignorer l’héritage indiscutable du berceau de l’humanité. Cet article vise à aider le lecteur à construire son propre sens critique.

MOTS CLÉS: Histoire de l’Afrique; Histoire du Brésil; Science; Culture; Afrodescendant

Repost 8/6/2018 – O tempo mítico e tempo social na sociedade africana

O homem africano é um ser histórico. E para quem estuda a história africana sabe que grandes obras vieram da capacidade criativa que nossos ancestrais deixaram para nós e usamos até os dias atuais. Tais criatividades estão bem visíveis aos nossos olhos. Para quem não estuda a história africana e tem pouco conhecimento sobre o que veio do continente-mãe é só olhar para as práticas agrárias, receitas de cozinha, medicamentos da farmacopeia, organizações políticas, produções artísticas, celebrações religiosas. Os africanos criaram seus próprios modos de ter uma sociedade, modos de pensamento e de vida. Sendo assim, criaram um modelo de sociedade.
O desenvolvimento de cada sociedade africana é concebido a partir da consciência histórica que os membros de cada sociedade têm de si. O que marca o singular desenvolvimento de cada sociedade em África é exatamente a concepção que os africanos têm de sua própria história. E eles dão valor aos saberes históricos para que suas sociedades sejam condicionadas estreitamente nesses saberes. Boubou Hama e J. Ki-Zerbo, no primeiro volume de História Geral da África, exemplificam essa consciência: “Assim, o rei dos Mossi (Alto Volta) intitulava-se Mogho-Naba, ou seja, rei do mundo, o que ilustra bem a influência das limitações técnicas e materiais sobre a visão que se tem das realidades sociopolíticas”. Eles constatam, através deste exemplo, que o tempo africano é mítico e social às vezes, mas que os africanos sabem que são os responsáveis pela sua própria história. Até aqui percebemos que para nossos irmãos o tempo histórico é muito importante. Muitos de nós, africanos na diáspora e não africanos, que tivemos uma (des)educação ocidental, é um pouco difícil compreender o quão importante é o tempo histórico e o quanto ele influencia em nossas vidas atualmente.
Como já foi mencionado em outras conversas, para quem recebeu (des)educação ocidental a África é apenas um lugar mítico e ligado somente à natureza. Ledo engano. Ainda hoje há pessoas que imaginam que a África vive ‘atrasada’ enquanto o resto do mundo dispara em avanços históricos progredindo fervorosamente. O mito, de fato, é bastante presente no pensamento dos africanos com objetivo de desenrolar as histórias passadas da vida dos povos. Isso é levado tão a sério que pode influenciar nas escolhas e são baseados num modelo mítico que predetermina as ações das autoridades e do povo, é como um costume, faz parte do cotidiano das pessoas.
O tempo tradicional africano une a eternidade em todos os sentidos. O que hoje a (des)educação ocidental determina como moderno, para os africanos tradicionais é inválido porque para eles as gerações passadas são tão importantes quanto às atuais, uma se integra à outra, não existe a separação que a (des)educação ocidental nos ensina de que o antigo não serve para o contemporâneo. E essa integração faz com que os ensinamentos e costumes passados sejam bastantes influentes, se não mais importantes, de quando seus ancestrais viviam. A mecânica é a seguinte: o passado influencia o presente e o presente influencia o futuro. Se formos conversar com irmãos do continente que seguem suas tradições e formos fazer a eles alguma proposta, pode ser bem comum que eles nos respondam que antes de tomarem qualquer decisão vão consultar seus ancestrais. Nós, da diáspora, fomos literalmente roubados da nossa cultura sem qualquer sombra de dúvidas.Os sonhos também são meios de tomar decisões muito significativas para os africanos. Antigamente, existiam funcionários das cortes que eram intérpretes de sonhos; eles tinham um peso considerável sobre a ação política, eram chamados de ministros do futuro. “No fim do século XVII, por exemplo, o rei ruandês Mazimpaka Yuhi III sonhou com homens de tez clara vindos do leste. Armou-se então de arcos e flechas, mas antes de lançar as flechas contra eles, guarneceu-as com bananas maduras. A interpretação desta atitude ambígua, ao mesmo tempo agressiva e acolhedora, introduziu uma imagem privilegiada na consciência coletiva dos ruandeses e talvez contribua para explicar a atitude pouco combativa desse povo, tradicionalmente aguerrido, face às colunas alemãs do século XIX, semelhantes aos pálidos rostos avistados durante o sonho real dois séculos antes.” (Hama & Ki-Zerbo, História Geral da África, volume I).
Podemos ter três exemplos de como o tempo mítico pode tranquilamente ser favorável ao contemporâneo. Além disso, os acontecimentos podem ser obtidos ao grupo e não apenas a um indivíduo: (1) Lenda Gikuyu – essa lenda explica a chegada da técnica de fundição do ferro, um benefício para todos até os dias atuais. Segundo a lenda, Mogai (Deus) distribuiu os animais entre os homens e as mulheres. Mas as mulheres foram bastante cruéis com eles fazendo com que eles se tornassem selvagens. Os homens intercederam junto a Mogai em favor das mulheres dizendo que em honra a Mogai iam sacrificar um carneiro, mas este ato não ocorreria com faca de madeira para não repetirem os riscos das suas mulheres. Essa atitude foi considerada de grande sabedoria por Mogai e por isso ele ensinou os homens a receita da fundição do ferro. (2) O rei Shilluk era um depositário mortal que possuía poder imortal, já que totalizava em si o próprio tempo mítico (Ele encarnou o herói fundador) e o tempo social considerado como fonte de vitalidade do grupo. (3) Assim como com o rei Shilluk, entre os Bafulero (Zaire oriental), os Bunyoro (Uganda) e os Mossi (Alto Volta), o chefe é base de sustentação do povo, do coletivo. O Mwami está presente: o povo vive. O Mwami está ausente: o povo morre. A ausência do rei em decorrência de morte influencia fortemente o dia a dia do seu povo. É como se o tempo parasse as atividades, a ordem social, qualquer expressão de vida (riso, agricultura e até mesmo a união sexual dos animais e das pessoas). Percebe-se, portanto, que o rei não está ali somente para governar como estamos acostumados a ver nas sociedades ocidentais, ele também é fundamental para a questão espiritual do povo que está sob sua responsabilidade. Até que chegue um novo rei para substituí-lo, tudo fica estático. Tudo é onipresente nesse tempo intemporal do pensamento animista, no qual a parte representa e pode significar o todo. Por exemplo, os cabelos e unhas que se impedem de cair nas mãos dos inimigos por medo de que estes tenham poder sobre a pessoa. Ou seja, esses elementos (cabelos e unhas) podem ser fortemente usados pelo inimigo dessa pessoa que os deixou cair porque tem a essência dessa pessoa nos elementos.
Não é tão fácil compreender o significado de tempo para os africanos tradicionais. Veja o trecho a seguir que deixo na íntegra retirado do primeiro volume da coleção História Geral da África, página 27 em PDF e página 83 do arquivo. “De fato, é preciso atingir uma concepção geral do mundo para entender a visão e o significado profundo do tempo entre os africanos. Veremos então que no pensamento tradicional, o tempo perceptível pelos sentidos não passa de um aspecto de um outro tempo vivido por outras dimensões da pessoa. Quando vem a noite e o homem se estende sobre sua esteira ou sua cama para dormir, é o momento que seu duplo escolhe para partir, para percorrer o caminho seguido pelo homem durante o dia, frequentar os lugares que ele frequentou e refazer os gestos e os trabalhos que ele realizou conscientemente durante a vida diurna. É no curso dessas peregrinações que o duplo se choca com as forças do Bem e do Mal, com os bons gênios e com os feiticeiros devoradores de duplos ou cerko (em língua songhai e zarma). É no duplo que reside a personalidade de cada um. O songhai diz que o bya (duplo) de um homem é pesado ou leve, querendo significar que sua personalidade é forte ou frágil: os amuletos têm como finalidade proteger e reforçar o duplo. E o ideal é chegar a confundir‑se com o próprio duplo, a fundir‑se nele até formar uma só entidade, que ascende assim a um grau de sabedoria e de força sobre‑humano. Somente o grande iniciado, o mestre (kortekonynu, zimaa) atinge esse estado em que o tempo e o espaço não constituem mais obstáculos. Era esse o caso de SI, o ancestral epônimo da dinastia: “Assustador é o pai dos SI, o pai dos trovões. Quando ele está com uma cárie, é então que mastiga cascalhos; quando está com conjuntivite, é nesse momento que, resplandecente, acende o fogo. Com seus grandes passos, ele percorre a terra. Ele está em toda parte e em parte alguma”.
Vimos que o tempo mítico e tempo social é fortemente vivo na vida dos nossos irmãos que segue a tradicional forma de vida africana. Mas, leitor, tenha cuidado para não pensar que os africanos só vivem do tempo mítico para justificar o social, pois se assim fosse o mito seria um condutor de uma história imóvel, que ficaria sempre na mesmice. E isso não é verdade. Em nossa próxima conversa, vamos conversar um pouco mais sobre isso de forma que não fique em sua mente que o pensamento africano se baseia apenas no que é mítico.

Fonte: História Geral da África, volume 1 – Capítulo 2 – Autores: Boubou Hama e J. Ki-Zerbo.
Nota: todos os textos deste blog são baseados em fontes dedicadas ao tema. A intenção do Coração Africano é apenas compartilhar o aprendizado que adquiri no dia a dia. O Blog não serve como fonte de pesquisa. Por isso, sempre terá a fonte de onde as informações foram extraídas.

Repost 10/3/2018 – Primeira universidade do mundo nasceu no Mali, África. Madraça (kemetiano) Universidade (ocidental)

Madraça é o nome do local onde aqui no ocidente chamamos de universidade. O termo é  kemetiano. Além de ser um centro de estudos, também é o local onde os muçulmanos fazem suas práticas, a conhecida Mesquita. 
“O que definimos como cultura ocidental é a vivência e educação por base na Filosofia Greco-Romana, Espiritualidade Judaico-Cristã, Modelos político e econômico que está na Revolução Francesa e Industrial”  (NOGUERA, Dr. Renato, 2016 / Tempo no vídeo: 29 min a 1:15:30).

Dentre as diversas valiosas iniciativas de cunho cultural e científico que a África nos ofereceu e oferece está a madraça. A cada descoberta de que algo surgiu no continente africano, me sinto mais orgulhosa e feliz pela nossa riqueza em TODOS os aspectos.
Localizada em Tombouctou (em francês), no Mali, oeste africano, madraça é um centro de estudos. Fica no continente africano, portanto, os três centros de estudos mais antigos do mundo. Sim, do mundo! A famosa Universidade de Tombouctou é composta por essas três mesquitas: Djinguereber, Sidi Yahya e Sankore.

Sidi Yahia mosque, 15th century, Timbuktu, Mali. Photo: MINUSMA/Sophie Ravier

SidiYahya – é uma mesquista e madraça. Mesquista é o local de culto dos seguidores do Islã. Sua construção foi concretizada no ano de 1440. O templo teve seu fim em 2012 com a  Batalha de Gao e Tombouctou.

Djinguereber – Photo: upiernoz

Djinguereber –  também é uma mesquita. Foi construída em 1327. Seu design foi feito especialmente para o imperador do Império do Mali e foi pago em ouro. OURO!

Madraça de Sankore – Wikipedia – Photo KaTeznik

Sankore – Esta mesquita é a mais antiga dos três centros de ensino de Tombouctou. Foi construída em 1300. Sua reconstrução aconteceu em 1581. E pra animar mais ainda, foi uma MULHER que financiou a construção da Mesquita de Sankore. Essa mulher era filha de comerciante. Eles eram tão ricos, mas tão ricos, que ela resolveu investir sua fortuna na construção de uma madraça. Investimento melhor não há, concordam? Investir em conhecimento nunca é demais.

*Todas as referências dos textos deste blog são citados ou como link ou numa relação feita após o fim do texto.

Repost 16/2/2018 – Diop e sua tese sobre a despigmentação da pele – Europeus foram negros

No post Cheikh Anta Diop: o revolucionário do pensamento africano , falamos sobre a origem do homem na África. As dúvidas podem existir talvez em razão de cor da pele que os europeus, asiáticos têm em comparação aos africanos e pessoas que vivem em países com o clima mais quente, por exemplo o Brasil. Então, com base num livro que estou lendo sobre Africanidade, Charles S. Frinch III, um dos escritores da obra, usa seu espaço para falar o que Cheikh Anta Diop comprovou sobre a despigmentação da pele.
No período interglacial, uma parte da população africana migrou para Eurásia colonizando da Espanha até uma parte asiática da Rússia. Essa afirmativa é comprovada cientificamente por meio de estudos em fósseis encontrados nessa região. Porém, depois de algum tempo – falamos aqui de tempo entre cinquenta e quarenta mil anos atrás – os gelos voltaram a tomar conta dessa região para onde os africanos haviam migrado na Eurásia. Por conta do gelo (frio e falta de muita luz solar) é que a pele passou pelo processo de despigmentação.
Se entendermos melhor a funcionalidade da Vitamina D no organismo, entenderemos o porquê de a pele dos africanos situados na Europa terem clareado. Ela tem como função dar força aos ossos. Um organismo que apresenta ausência dessa vitamina tem como resultado o raquitismo nas crianças e osteomalácia nos adultos. Ou seja, os ossos ficam moles e quebradiços. Em nós, mulheres, é mais grave ainda porque se ficarmos com os ossos fracos teremos a pélvis deformada e impossibilitada de realizar o parto normal, por exemplo.
Naquela época, a produção da Vitamina D no organismo só era possível através do contato com raios solares ultravioleta. Ela também é encontrada naturalmente em peixes de água salgada do hemisfério norte. Como mencionado há pouco, os raios solares ultravioleta são os principais meios de absorção dessa vitamina – hoje há outras formas encontradas para tê-las por meio da alimentação não só de peixes. Em nós, africanos (do continente ou da diáspora), tanto naquele tempo como agora, temos um pouco mais de dificuldade de absorver esses raios se estivermos em locais com poucos raios solares; isso se dá em razão da alta quantidade de melanina em nosso corpo, mesmo para quem tem o tom de pele mais claro, os chamados “morenos”. Na África e em outros ambientes quentes, tropicais, a pele negra se beneficiava e se beneficia mesmo para quem tem a pele com bastante melanina porque os raios solares são intensos. Em locais onde as geleiras predominam, como era o caso na Idade Glacial, os africanos que migraram para lá e tinham a pele com muita melanina eram prejudicados, pois lá o sol não era forte, consequentemente os raios não eram suficientes para ultrapassar a melanina da pele. Com isso, naturalmente, a pele das pessoas foi se despigmentando para que pudesse receber a quantidade necessária de Vitamina D através dos raios ultravioletas que não eram tão fortes como em regiões mais ensolaradas. Alguns africanos não permaneceram no local à época e, para resolver a situação, migraram para locais onde o clima era mais quente; outros, que permaneceram na Europa mesmo com esse clima gelado e vivendo em cavernas, foram se despigmentando.
A pele branca absorve melhor os raios solares, então esse problema de ausência de Vitamina D não ocorre para as pessoas com tais características. Além disso, a pele branca aguenta mais o frio do que a pele preta. Isso dá pra perceber no resultado de quando alguém com a pele branca que fica muito tempo exposta ao sol; e com quem tem a pele com mais melanina nada acontece. Segundo Diop, a despigmentação começou com o albinismo na Europa. O albinismo é uma condição que causa ainda bastante preconceito nas pessoas, mas foi através dele que começou o processo de despigmentação da pele dos nossos antepassados que viveram na Europa. Eles formaram a população ancestral aos da raça caucasiana contemporânea. Porém, em África, os albinos não têm muito tempo de vida devido ao clima, já que a pele não tem a quantidade de melanina suficiente para viverem por lá. Concluir-se que toda característica física do negro e do branco está relacionada ao clima ambiental. 

Referências:

– Wikipedia – Vitamina D

– Afrocentricidade – Uma abordagem epistemológica inovadora – Sankofa 4 – organizado por Elisa Larkin Nascimento

Repost 26/1/2018 – A África é importante para a História

A Pré-história e a História da humanidade são divididas entre o antes e o depois da invenção da escrita. Por muitos anos, a África teve sua história ocultada pelos ocidentais porque tinha-se a crença de que para se ter uma história, esta só teria validade se houvesse documentos escritos. Assim, a tradição oral africana era desvalorizada pelos europeus. M’bow, em seu prefácio no Volume I da História Geral da África, escreveu

Se Ilíada e a Odisseia podiam ser devidamente consideradas como fontes essenciais da história da Grécia antiga, em contrapartida, negava-se todo valor à tradição oral africana, essa memória dos povos que fornece, em suas vidas, a trama de tantos acontecimentos marcantes. (M’bow, 2010, pag. 21) 
É inadmissível, inclusive para muitos ignorantes nos dias atuais, aceitar que o continente africano nos forneceu inúmeras práticas que hoje fazem parte do nosso dia a dia, como a escrita, a arquitetura, a matemática, etc., etc. etc. Impossível é listar TUDO que usamos e fazemos e que teve origem no continente africano.

Hoje, estudando mais sobre nosso continente-mãe, é nítido perceber como historiadores ocidentais mutilaram a história da África. A maneira como isso ocorreu foi pela presença de viajantes estrangeiros no continente que acabaram fixando as imagens do que viam da maneira como quiseram. E claro que não foi positivamente. Durante muito tempo, ou até mesmo séculos, essas imagens foram sendo reprojetadas e serviram como justificativas para a visão que o mundo tem hoje do continente africano. Visão distorcida, obviamente. (Ki-Zerbo, 2010).

Nesse contexto, a desastrosa compreensão que se tem da África perdura até hoje. Ainda, muitas pessoas têm uma visão de que o continente é um local, mítico, exótico, que é apenas ligado à natureza; mas sem cultura (cultura da ciência). Existe grande dificuldade em compreender a África por meio da ciência. Acreditar que lá foram criadas inúmeras práticas que até hoje são vistas como criações europeias é um tabu. É importante olharmos para o nosso continente não apenas como cultura, algo como “é opcional fazer isso ou não porque a cultura de determinado local segue quem quer”. Precisamos mudar nosso olhar e vê-lo com mais orgulho e certeza de que África também é Ciência.

É de extrema importância que africanos do continente e africanos da diáspora nos juntemos para propagar nossas riquezas, nossas benfeitorias ao mundo. Isso, não como uma forma de reclamar algo (alguns podem pensar neste sentido), mas penso que propagar e conhecer cada vez mais como forma de autovalorização, autoestima. É gostoso saber que nossos antepassados deixaram legados importantíssimos para a humanidade. Isso nos fortalece também como posicionamento diante de uma sociedade que tenta a todo custo nos oprimir e depreciar nossa imagem por causa da cor da pele. Vamos nos fortalecer sempre.

NÃO, NÓS NÃO VAMOS MAIS PERMITIR QUE OPRESSORES QUEIRAM TOMAR NOSSO LUGAR DE FALA.

Referências:

– História Geral da África, Vol. I: Metodologia e pré-história da África / editado por Joseph Ki‑Zerbo.– 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010. 992 p.

– FABRICIO, Edison Lucas; BRITO, Edilson Pereira. História da África e dos africanos: dos primórdios ao período pré-colonial. Indaial: Uniasselvi, 2012. 128 p.: il

Dedan Kimathi

Dedan Kimathi

Dedan Kimathi foi um grande líder do Movimento Mau Mau, no Kenya. Este movimento nacionalista tinha como objetivo conquistar a independência do país, que era colônia britânica. Para os nacionalistas, Kimathi é tido como um herói; enquanto para o governo colonial, um terrorista.

No fim da décado de 1940, Kimathi tornou-se membro da União Africana do Kenya (KAU). Tornou-se secretário dessa organização que era controlada por militantes da causa de Mau Mau. O Mau Mau começou como o exército da Terra e da Liberdade. O grupo passou a ter grande influência, causando uma grande ameaça ao governo britânico. Em 1951, ao assumir o juramento do Mau Mau, as atividades de Kimathi passou a ser o grande alvo do governo colonial e, com isso, foi preso ainda no mesmo ano, mas escapando com a ajuda da polícia local. Este acontecimento deu início à sua revolta violenta, fazendo com que formasse o Conselho de Defesa do Kenya para coordenar todos os combates da floresta em 1953.

Em 1956, Kimathi foi capturado na floresta de Nyeri, assim deu-se fim à guerra florestal. O mais triste ao ler um pouco da sua história é que o júri o qual o condenou à morte era composto totalmente por pretos. E em 18 de fevereiro de 1957 ficou a data marcada pela sua execução, pendurado na prisão Kamiti Maximum Security.

Fontes:

Wikipedia

Africa is a Country

Guiné-Bissau

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O nome oficial do país é República da Guiné-Bissau, ele fica na costa ocidental da África, estende-se do cabo Roxo à ponta do Cagete. O país ainda faz fronteira com o norte do Senegal, com o sudeste da Guiné-Conacri (ex-francesa) e ao sul e oeste com o oceano Atlântico. Guiné-Bissau, assim como alguns outros países africanos foi colônia de Portugal. O país europeu colonizou a Guiné desde o século XV até sua independência, em 24 de setembro de 1973, que só foi reconhecida internacionalmente. O reconhecimento por parte de Portugal só aconteceu no ano seguinte, em 10 de setembro de 1974.

Os povos animistas são identificados pelas belas e coloridas coreografias. Essas manifestações culturais são realizadas em momentos especiais, como em colheitas, casamentos, funerais, cerimônias de iniciação; enfim, são as danças tradicionais. O Gumbé é o ritmo que pode ser visto tanto na dança tradicional como na contemporânea, como já foi falado neste blog. Não consegui inserir um vídeo por causa do seu tamanho, mas deixo aqui o link para quem tiver interesse e assisti-lo: Danças Culturais da Guiné-Bissau.
Fonte:

Mundo da Dança – http://www.mundodadanca.art.br/2013/12/dancas-africanas-guine-bissau-balanta.html

 

 

 

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